— Alô? — sua voz soava meio enferrujada, mas nada que fosse terrivelmente fora do normal.
— Olá! — respondeu uma voz feminina do outro lado da linha. Uma voz que Beetlejuice reconheceu de imediato.
— Lydia! - exclamou ele, com uma grande sensação de felicidade — Há quanto tempo não nos falamos, minha cara?
— He, he! Já faz muitas estações... Estou com saudades imensas de você, meu querido Beetlejuice.
— Eu digo o mesmo, naturalmente. Como está indo sua vida?
— Ruim. Digo, estava ruim. Há muito pouco tempo atrás. Mas agora, melhorou.
Beetlejuice puxou uma cadeira e sentou-se.
— O que houve com você?
— A vida aqui em Londres não é das melhores. Pelo menos não para mim. A faculdade me deixa entediada e o trabalho é uma das coisas mais chatas que já me aconteceram. Ou melhor, era. Me livrei de tudo há dois dias atrás.
Uma seqüência de segundos silenciosos dominou a conversa. Então Beetlejuice disse:
— O quê?! Como assim se livrou? E os seus pais?
— Me demiti do emprego e larguei a faculdade. Meus pais me xingaram, mandaram que eu voltasse, mas quando decido uma coisa, praticamente nada me faz voltar atrás. Essa sou eu, você me conhece.
— Entendo. Mas o que pretende fazer da vida agora, Lydia?
Mais uma sequência silenciosa. Lydia estava ligeiramente insegura com relação ao que iria dizer em seguida. Por melhor que conhecesse Beetlejuice, pedir pra ir morar com ele era algo que ela própria não tinha certeza se queria. Mesmo assim, falou duma vez:
— Ah... Será que você não se agradaria em ter minha presença por aí?
Um sorriso bobo e escancarado apareceu no rosto de Beetlejuice.
— C-CLARO!!! — berrou ele. E, eis que ele lembrou-se da festa — E é engraçado você ligar-me justo agora Lydia, pois eu acabei de receber um convite para uma festa na belíssima mansão do Sr. Boris Gavrie! E o convite me dá direito a um acompanhante, e pensei em ti no instante em que li o trecho do convite que informava este detalhe. O que me diz?
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
1 - A Festa de Boris Gavrie
O bio-exorcista Beetlejuice ficou incrivelmente excitado ao saber que havia sido convidado a uma ilustre festa na grandiosa mansão do Sr. Boris Gavrie, em Reykjavík, na capital da Islândia. Neste evento, rumorava-se, estariam presentes pessoas famosas, importantes e, como diziam, um tanto quanto inusitadas. O "inusitadas" em si, ninguém sabia explanar o significado, somente, talvez, o gerador do rumor. Contudo, o bio-exorcista acreditava que ele se encontraria entre essa designação.
A festa ocorreria dentro de vinte dias - as passagens para a Islândia ficariam na conta do Sr. Gavrie (não que isso importasse para Beetlejuice, devido às suas capacidades de realizar feitos como transformação, o que poderia permitir-lhe a voar). Lendo o convite, Beetlejuice encontrou um certo detalhe: poderia convidar uma pessoa para ter como companhia durante o período da festa. Imediatamente pensou em Lydia Deetz, garota de pele muita branca e de cabelos intensamente negros com quem conviveu durante um razoavelmente longo tempo de sua vida e pela qual guardava uma sublime admiração. Mas Lydia agora fazia faculdade e trabalhava quase todos os dias da semana, o que tornava o tempo da moça muito limitado.
Beetlejuice morava numa cidade do interior de São Paulo, no Brasil. Sua vida como um indivíduo que mal estava vivo ou morto era complexa, mas, desde que soubesse como proceder, como administrar isso, ninguém identificaria essa sua real identidade. Vivendo tranqüilamente há três anos, o recebimento do convite para a festa o fez se sentir com vontade de realizar as antigas atividas que sempre fizeram parte de sua singularidade, essencialmente a profissão de bio-exorcista - não havia se aposentado, mas já fazia tempos que nenhum ser clamava pelos seus serviços. Sua casa era grande, com quatro quartos, uma sala espaçosa, uma cozinha, dois banheiros e um quintal relaxante: recebia visitas de velhos amigos que, vez ou outra, permaneciam hospedados no local, devido à grande tranqüilidade ali existente - daí a alta quantidade de quartos, que o próprio Beetlejuice construiu. A casa ficava no topo de um morro - outras pessoas residiam em algumas casas próximas, o que dava à ele alguns poucos vizinhos.
Cinco minutos após ter terminado de ler o convite, Beetlejuice teve uma leve surpresa ao ouvir o toque do telefone - devia fazer no mínimo duas semanas que nenhuma criatura ligava-lhe. Com o coração semi-morto batendo forte, ele pôs-se a atender o telefonema.
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